{"id":354,"date":"2025-03-08T14:38:20","date_gmt":"2025-03-08T17:38:20","guid":{"rendered":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=354"},"modified":"2025-03-08T14:45:07","modified_gmt":"2025-03-08T17:45:07","slug":"critica-do-filme-quando-foi-que-acordei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=354","title":{"rendered":"Cr\u00edtica do filme Quando Foi Que Acordei?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"403\" height=\"167\" src=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-355\" style=\"width:620px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-3.png 403w, https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-3-300x124.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 403px) 100vw, 403px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por B\u00e1rbara Palheta \/ <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Mariana Corr\u00eaa, diretora do curta-metragem \u201cQuando Foi Que Acordei?\u201d, \u00e9 graduada em Cinema e Audiovisual na Universidade Federal de Pelotas. Foi produtora do curta &#8221;Combust\u00e3o Espont\u00e2nea\u201d, selecionado para o 51\u00b0 Festival de Gramado e \u00e9 fundadora da produtora &#8221;Filmes \u00damidos&#8221; e do Coletivo Transviada de Pelotas. \u201cQuando Foi Que Acordei?\u201d conta de uma forma sens\u00edvel a hist\u00f3ria de Clarice, uma jovem que trabalha como editora de imagem em uma empresa que registra sonhos. Durante seu trabalho ela conhece Maria, uma fot\u00f3grafa que est\u00e1 temporariamente na cidade, e se surpreende ao perceber que ambas tiveram o mesmo sonho naquela noite. As duas ent\u00e3o aproveitam o pouco tempo juntas enquanto se envolvem em dois mundos, entre os sonhos compartilhados e a realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Algumas vezes em redes sociais vejo um post antigo sendo compartilhado, um panfleto colado em uma rua. O panfleto cont\u00e9m instru\u00e7\u00f5es para saber se voc\u00ea est\u00e1 tendo um sonho ou n\u00e3o, ele pede que voc\u00ea olhe o rel\u00f3gio e depois olhe pro lugar em que voc\u00ea est\u00e1 e que depois olhe de novo seu rel\u00f3gio. Se o hor\u00e1rio estiver completamente diferente significa que voc\u00ea est\u00e1 dentro de um sonho. O panfleto, segundo algumas pesquisas r\u00e1pidas, foi colocado em algumas paredes na cidade de Sheffield, n\u00e3o se sabendo exatamente seu autor ou motivo de estar l\u00e1. Essa foi uma das primeiras coisas que me veio \u00e0 mente assistindo \u201cQuando foi que acordei?\u201d. A palavra sonho tem diversos significados. No dicion\u00e1rio, uma de suas defini\u00e7\u00f5es \u00e9 \u201cconjunto de imagens, de pensamentos ou de fantasias que se apresentam \u00e0 mente durante o sono\u201d. Esse conjunto de imagens e fantasia \u00e9 o dispositivo que estrutura e nos guia no curta-metragem.<\/p>\n\n\n\n<p>O curta se apresenta de forma excepcional logo no seu primeiro minuto, voc\u00ea n\u00e3o sabe exatamente o que est\u00e1 assistindo, a fotografia tem um efeito \u201ccremoso\u201d, tudo tem um ritmo diferente do esperado. Literalmente a primeira sequ\u00eancia parece ter um leve slow motion, existe um vento que n\u00e3o se sabe exatamente de onde est\u00e1 vindo, mas que balan\u00e7a os cabelos da personagem e a destaca imediatamente como esse ser et\u00e9reo de uma cena de romance. A atmosfera parece a de um sonho, mas n\u00e3o somente um sonho no sentido rom\u00e2ntico, um sonho, tamb\u00e9m, literal que se tem quando dorme, daqueles que n\u00e3o tem come\u00e7o nem um fim exato, que tem pessoas que voc\u00ea n\u00e3o lembra de conhecer e locais que voc\u00ea n\u00e3o lembra de ter estado. Com toda essa atmosfera criada apenas nesse \u00fanico minuto de abertura, o filme te leva \u00e0 rotina de Maria, cuja fun\u00e7\u00e3o principal no trabalho \u00e9 assistir o sonho que outras pessoas tiveram enquanto dormiam. Apesar da rotina n\u00e3o deixar a personagem empolgada, ela faz alguma quest\u00e3o de registr\u00e1-la mesmo assim, registr\u00e1-la em seus aparatos tecnol\u00f3gicos que lembram a s\u00e9rie Black mirror, como no epis\u00f3dio San Jun\u00edpero da terceira temporada e tamb\u00e9m Crocodilo, epis\u00f3dio da quarta temporada da s\u00e9rie.<\/p>\n\n\n\n<p>Na m\u00eddia mainstream as representa\u00e7\u00f5es de romances s\u00e1ficos, entre duas pessoas com g\u00eanero alinhado ao feminino, s\u00e3o escassos ou fetichistas, principalmente quando se trata de Brasil. Por esse motivo, o romance entre Maria e Clarice parece t\u00e3o surpreendente, n\u00e3o por ser totalmente inovador, mas por nos trazer um desenvolvimento totalmente natural, sem a aura \u201cromance proibido\u201d ou o famoso \u201cmate seus gays\u201d (fen\u00f4meno na m\u00eddia onde casais LGBTQIA+, principalmente s\u00e1ficos, t\u00eam um de seus integrantes morto no final da trama). Maria e Clarice t\u00eam um romance que come\u00e7a como algo casual e nos leva a representa\u00e7\u00f5es sens\u00edveis e ternas, principalmente em suas cenas de sexo.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu diria que \u201cQuando foi que acordei?\u201d nos transporta para dentro de um sonho, nos diversos sentidos da palavra, tudo nele tem uma atmosfera que te faz suspender a cren\u00e7a na realidade e na linearidade das coisas. O filme te leva em uma jornada em que n\u00e3o importa se a neve cai no in\u00edcio de uma noite quente ou se \u00e9 poss\u00edvel montar um castelo de areia no meio da sala de estar, o que se faz importante \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o deixada por esses eventos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por B\u00e1rbara Palheta \/ Mariana Corr\u00eaa, diretora do curta-metragem \u201cQuando Foi Que Acordei?\u201d, \u00e9 graduada em Cinema e Audiovisual na Universidade Federal de Pelotas. 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