{"id":370,"date":"2025-03-08T14:50:45","date_gmt":"2025-03-08T17:50:45","guid":{"rendered":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=370"},"modified":"2025-03-08T14:50:45","modified_gmt":"2025-03-08T17:50:45","slug":"critica-do-filme-quem-sabe-nesse-carnaval","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=370","title":{"rendered":"Cr\u00edtica do filme Quem Sabe Nesse Carnaval"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"429\" height=\"268\" src=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-7.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-371\" style=\"width:620px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-7.png 429w, https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-7-300x187.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 429px) 100vw, 429px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>Por\u00a0Mateus Felipe de Jesus Jord\u00e3o Palmeira \/ <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>A ordinariedade e a improbabilidade dos encontros s\u00e3o realidades de um dia de carnaval. O carnaval j\u00e1 faz parte de um imagin\u00e1rio e uma agenda popular que mesmo quem n\u00e3o \u00e9 \u201cchegado\u201d ao feriado, o vivencia. Quem Sabe Nesse Carnaval explora essa esfera de acontecimentos atrav\u00e9s da \u00f3tica de um jovem, Sami, que \u00e9 pouco apegado ao evento, mas que indiretamente, mesmo de maneira \u00ednfima, tem sua vida transformada durante o per\u00edodo. A hist\u00f3ria se desdobra em torno da conex\u00e3o improv\u00e1vel de Sami e Flora, uma viajante chilena que buscando aproveitar a folia, se hospeda na casa do jovem aficionado por jogos e streamer durante o feriado. O curta adentra sob esse contato entre duas pessoas com comportamentos e personalidades distintas.<\/p>\n\n\n\n<p>O paralelo em contraponto do estilo de vida de cada um desses sujeitos \u00e9 constru\u00eddo em cena pelos pequenos arranjos do enredo. A conex\u00e3o com esse \u201ccorpo estranho e intruso\u201d, que modificar\u00e1 o cotidiano do sujeito, \u00e9 exposta narrativamente por nuances imag\u00e9ticas na obra, nos conduzindo atrav\u00e9s do v\u00ednculo que se constr\u00f3i entre esses dois indiv\u00edduos. Em um pa\u00eds que respira Carnaval e esse amor \u00e9 quase un\u00e2nime, logo, mesmo o indiferente n\u00e3o deixa de ser afetado pelo evento. Estes elementos s\u00e3o percept\u00edveis desde o primeiro ato, as diferen\u00e7as entre Sami e Flora, entre idade, costumes e mesmo na l\u00edngua prop\u00f5em entraves que subliminarmente aparecem para n\u00f3s ao longo do curta, mas que v\u00e3o por \u00e1gua abaixo \u00e0 medida que a hist\u00f3ria prossegue. Entendemos um pouco daqueles dois personagens e suas peculiaridades.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de toda a hist\u00f3ria se passar espacialmente dentro dos limites da casa de Sami, o som consegue desenvolver atrav\u00e9s de elementos dieg\u00e9ticos, a passagem dos blocos e refor\u00e7ar a ideia, em virtude de na aus\u00eancia planos e quadros dos mesmos. As escolhas est\u00e9ticas s\u00e3o bem dosadas fazendo sentido para o intento da obra, por utilizar somente uma loca\u00e7\u00e3o. A repeti\u00e7\u00e3o de quadros, al\u00e9m de sugerir a passagem do tempo em diferentes momentos de tela, cria paralelos \u00e0 medida que a hist\u00f3ria avan\u00e7a. Um dos que mais me chamou aten\u00e7\u00e3o foi um plano de ponto de vista, que simula uma webcam que Sami utiliza para streamar para os seus seguidores, um quadro que se repete em diferentes momentos, mas se encaminhando para o final, vemos ele uma \u00faltima vez, com a participa\u00e7\u00e3o de Flora, no quadro com Flora em foco no plano com Sami ao fundo desfocado. \u00c9 poss\u00edvel entender a import\u00e2ncia desta a\u00e7\u00e3o, considerando a intimidade desse momento para o jovem streamer ao longo da hist\u00f3ria, logo deparar-se com a participa\u00e7\u00e3o de Flora conduzindo a sua live, \u00e9 um selo da afirma\u00e7\u00e3o do la\u00e7o que acompanhamos.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante os tr\u00eas dias que antecedem a Quarta-feira de Cinzas, as cr\u00f4nicas de carnaval de acontecimentos a eventos, fazem parte da hist\u00f3ria particular de cada brasileiro. Os amores de carnaval eternos ou ef\u00eameros s\u00e3o pontos comuns entre v\u00e1rios outros. Quem Sabe Nesse Carnaval \u00e9 um retrato de um dos pontos que, para mim, compreende um dos maiores m\u00e9ritos do cinema e da linguagem: transformar o ordin\u00e1rio em extraordin\u00e1rio. O encerramento do filme elucida essa ideia de maneira did\u00e1tica. Aquela hist\u00f3ria de carnaval, que em minutos de tela fora constru\u00edda gradualmente, chega no encerramento de maneira inesperada: sem solu\u00e7\u00e3o, quando pensamos que iremos caminhar pela resolu\u00e7\u00e3o geral dessas pontas soltas, a diegese sonora de ambienta\u00e7\u00e3o \u00e9 interrompida, temos o sil\u00eancio e a carta de despedida de Flora \u00e0 Sami, mas afinal \u00e9 Carnaval, como diria Chico Buarque em um Sonho de Carnaval: \u201cQuarta-feira sempre desce o pano&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por\u00a0Mateus Felipe de Jesus Jord\u00e3o Palmeira \/ A ordinariedade e a improbabilidade dos encontros s\u00e3o realidades de um dia de carnaval. 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