{"id":397,"date":"2025-03-08T15:02:40","date_gmt":"2025-03-08T18:02:40","guid":{"rendered":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=397"},"modified":"2025-03-08T15:02:40","modified_gmt":"2025-03-08T18:02:40","slug":"critica-do-filme-de-todas-as-cores-da-cidade-amarela-e-a-minha-favorita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=397","title":{"rendered":"Cr\u00edtica do filme De Todas as Cores da Cidade, Amarela \u00e9 a Minha Favorita"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Mauro Sidney Mendes da Cruz J\u00fanior \/ <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"390\" height=\"292\" src=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-16.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-398\" style=\"width:620px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-16.png 390w, https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-16-300x225.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 390px) 100vw, 390px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O curta-metragem De Todas as Cores da Cidade, Amarela \u00e9 a Minha Favorita, com 24 minutos de dura\u00e7\u00e3o, \u00e9 ambientado na cidade de S\u00e3o Paulo e apresenta a complexidade de uma &#8220;t\u00edpica&#8221; fam\u00edlia nippo-brasileira, marcada pela postura conservadora dos mais velhos.<\/p>\n\n\n\n<p>A trama gira em torno de Maya, uma jovem profundamente abalada pelo luto ap\u00f3s a perda inesperada de seu irm\u00e3o. Devastada pela dor, ela ainda precisa lidar com a dif\u00edcil conviv\u00eancia e a falta de comunica\u00e7\u00e3o com sua av\u00f3, uma figura que, aparentemente, desaprova relacionamento amoroso com pessoas fora da comunidade descendente. Esse conflito fica evidente por conta de Maya evitar o encontro de seus familiares com seu namorado, um rapaz negro, para que n\u00e3o houvesse conflitos que deixassem sua conviv\u00eancia mais conturbada.<\/p>\n\n\n\n<p>O curta aborda com delicadeza temas como tradi\u00e7\u00e3o, religiosidade e choque cultural, retratando a rela\u00e7\u00e3o entre Maya e seu namorado como um ponto de contraste e enriquecimento m\u00fatuo. Um dos aspectos mais interessantes do filme \u00e9 a abordagem da espiritualidade, tanto da parte de Maya quanto de seu parceiro. Enquanto ela mant\u00e9m o butsudan (altar budista dedicado aos falecidos), ele possui um altar de uma religi\u00e3o de matriz africana, simbolizando as diferen\u00e7as culturais entre os dois. Uma cena marcante \u00e9 quando ele explica como, em sua religi\u00e3o, a passagem de um ente querido \u00e9 celebrada com m\u00fasica e alegria, criando um contraponto com o tom mais introspectivo e contido das tradi\u00e7\u00f5es de Maya.<\/p>\n\n\n\n<p>A identidade nippo-brasileira da protagonista \u00e9 revelada de maneira sutil, sem exposi\u00e7\u00f5es expl\u00edcitas, mas por meio de elementos visuais e narrativos, como o teruteru bouzu (boneco de papel pendurado para pedir o fim da chuva), o butsudan e os di\u00e1logos em japon\u00eas misturados ao portugu\u00eas da av\u00f3 t\u00edpico de pessoas de comunidade japonesa, chamado \u201ckoroniago\u201d (l\u00edngua da col\u00f4nia). Essa abordagem confere autenticidade ao retrato cultural e refor\u00e7a o conflito geracional entre Maya e sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto forte do filme \u00e9 a leveza com que os elementos culturais e familiares s\u00e3o apresentados, permitindo que mesmo espectadores sem familiaridade com as culturas japonesas se conectem com a hist\u00f3ria. Essa naturalidade torna o curta acess\u00edvel, ao mesmo tempo que promove um di\u00e1logo sobre diferen\u00e7as e pontos de converg\u00eancia entre culturas e religi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao explorar temas como luto, tradi\u00e7\u00e3o, conflito geracional e diversidade cultural, De Todas as Cores da Cidade, Amarela \u00e9 a Minha Favorita oferece um retrato sens\u00edvel e profundo de uma fam\u00edlia em busca de reconex\u00e3o. O filme n\u00e3o apenas se destaca pela autenticidade de sua representa\u00e7\u00e3o cultural, mas tamb\u00e9m pela universalidade de suas emo\u00e7\u00f5es, que transcendem barreiras e convidam o p\u00fablico a refletir sobre os pr\u00f3prios v\u00ednculos familiares e sociais.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da fotografia, que contribui significativamente para a autenticidade visual do curta, criando uma experi\u00eancia imersiva por meio de planos envolventes e bem compostos, h\u00e1 outros elementos a serem destacados.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, em rela\u00e7\u00e3o aos di\u00e1logos, percebi que, em alguns momentos, faltou uma naturalidade maior, o que poderia ter aproximado ainda mais os personagens do espectador. Embora cumpram sua fun\u00e7\u00e3o narrativa, esses trechos poderiam ser trabalhados de forma a refletir de maneira mais fluida as intera\u00e7\u00f5es do cotidiano, tornando a experi\u00eancia ainda mais cativante e veross\u00edmil.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mauro Sidney Mendes da Cruz J\u00fanior \/ O curta-metragem De Todas as Cores da Cidade, Amarela \u00e9 a Minha Favorita, com 24 minutos de dura\u00e7\u00e3o, \u00e9 ambientado na cidade de S\u00e3o Paulo e apresenta a complexidade de uma &#8220;t\u00edpica&#8221; fam\u00edlia nippo-brasileira, marcada pela postura conservadora dos mais velhos. 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