{"id":403,"date":"2025-03-08T15:05:52","date_gmt":"2025-03-08T18:05:52","guid":{"rendered":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=403"},"modified":"2025-03-09T14:08:55","modified_gmt":"2025-03-09T17:08:55","slug":"filme-me-ame-como-e-pra-amar-critica-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=403","title":{"rendered":"Filme Me Ame Como \u00c9 Pra Amar (Cr\u00edtica 1)"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Kian Zwicker \/ <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"433\" height=\"244\" src=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-18.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-404\" style=\"width:620px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-18.png 433w, https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-18-300x169.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 433px) 100vw, 433px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Me Ame Como \u00c9 Pra Amar, curta-metragem dirigido e escrito por Lucas Blanco, aborda de forma \u00edntima e sens\u00edvel as diversas formas de amor. Lucas, egresso do curso de Cinema e Audiovisual da UFPA, constr\u00f3i uma narrativa que explora os desafios da aceita\u00e7\u00e3o e os impactos do luto dentro de uma fam\u00edlia. A trama acompanha Nicolas, um jovem que, ap\u00f3s a morte de sua m\u00e3e, tenta lidar com a rejei\u00e7\u00e3o do pai ao descobrir sua homossexualidade. Em paralelo, o filme toca em outras camadas emocionais, como a busca de Nicolas por afeto e o reflexo da aus\u00eancia de amor paterno em seus relacionamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>O curta n\u00e3o foge de tem\u00e1ticas que, apesar de universais, ainda encontram resist\u00eancia em muitos espa\u00e7os. A rela\u00e7\u00e3o conflituosa entre Nicolas e o pai reflete o preconceito presente em muitas fam\u00edlias e questiona os limites do amor paternal. Afinal, at\u00e9 onde vai a ignor\u00e2ncia de quem, ao inv\u00e9s de apoiar, acaba afastando quem ama? Por que um pai que se diz amoroso vira as costas ao descobrir algo t\u00e3o essencial sobre o filho? Al\u00e9m disso, o curta articula a interse\u00e7\u00e3o entre luto e preconceito, sugerindo que, sem a m\u00e3e &#8211; a ponte afetiva entre pai e filho -, o relacionamento entre os dois entra em colapso.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses conflitos n\u00e3o s\u00e3o apenas familiares, mas sociais. O filme tamb\u00e9m aponta como a aus\u00eancia de aceita\u00e7\u00e3o pode moldar a maneira como algu\u00e9m enxerga e vive o amor em outras rela\u00e7\u00f5es. Ao conectar luto, preconceito e vulnerabilidade, Me Ame Como \u00c9 Pra Amar convida o espectador a refletir sobre o impacto emocional dessas quest\u00f5es em quem apenas busca ser aceito.<\/p>\n\n\n\n<p>O maior m\u00e9rito do filme est\u00e1 na escolha de um tema t\u00e3o necess\u00e1rio e no impacto que ele gera ao ser exibido em eventos como a Mostra Audiovisual LGBTQIAPN+ do Amaz\u00f4nia em Rede. A exibi\u00e7\u00e3o em espa\u00e7os como a Usina da Paz Jurunas\/Condor \u00e9 um exemplo de como o cinema pode quebrar bolhas e dialogar com p\u00fablicos mais amplos, gerando empatia e questionamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>A iniciativa das Usinas da Paz, promovida pelo governo para democratizar o acesso \u00e0 cultura e ao entretenimento a bairros perif\u00e9ricos e de perfil mais familiar, amplia ainda mais o alcance do filme. Ao ser exibido nesse espa\u00e7o, Me Ame Como \u00c9 Pra Amar alcan\u00e7a espectadores que, talvez, n\u00e3o estivessem acostumados a consumir narrativas LGBTQIAPN+. Essa oportunidade de contato com novas perspectivas \u00e9 fundamental para criar um di\u00e1logo mais diverso e inclusivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das cenas mais fortes do curta \u00e9 o di\u00e1logo em que Nicolas se assume para o pai. Simples nas palavras, mas intensa na carga emocional, a cena encapsula o conflito central do filme. A frase \u201cEu n\u00e3o vou mudar, pai. Eu sou gay! E eu preciso do meu pai de volta.\u201d sintetiza n\u00e3o apenas a dor de Nicolas, mas tamb\u00e9m a realidade de tantas pessoas da comunidade LGBTQIAPN+. \u00c9 um momento que, mesmo curto, ecoa muito al\u00e9m da tela, tocando quem j\u00e1 viveu algo semelhante ou quem, talvez, precise repensar suas pr\u00f3prias posturas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, \u00e9 na parte t\u00e9cnica que o filme encontra alguns trope\u00e7os. A trilha sonora, embora mere\u00e7a elogios por ser inteiramente autoral, apresenta momentos de desconex\u00e3o. O curta utiliza diversas m\u00fasicas ao longo de sua dura\u00e7\u00e3o, mas, por vezes, parece n\u00e3o haver tempo suficiente para que todas elas se encaixem naturalmente na narrativa. Isso resulta em transi\u00e7\u00f5es abruptas, que podem tirar o espectador da imers\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A coloriza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m apresenta problemas, especialmente na transi\u00e7\u00e3o entre as cenas que retratam o per\u00edodo em que a m\u00e3e est\u00e1 viva e o momento ap\u00f3s sua morte. O uso de tons quentes para simbolizar vida e conforto fica exagerado, quase caricato, enquanto os tons frios funcionam melhor, mas poderiam ser trabalhados com mais sutileza.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro detalhe t\u00e9cnico que chama aten\u00e7\u00e3o est\u00e1 na cena inicial, quando os pais de Nicolas dan\u00e7am na cozinha. Os feixes de luz, que deveriam criar uma atmosfera acolhedora, acabam parecendo efeitos mal aplicados, tirando um pouco da naturalidade do momento.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, embora alguns di\u00e1logos sejam extremamente marcantes e carreguem um peso emocional significativo, a maioria deles soa estranha na execu\u00e7\u00e3o. Existe uma falta de naturalidade, como se esses di\u00e1logos funcionassem melhor no papel do que na fala e atua\u00e7\u00e3o. Isso provoca uma sensa\u00e7\u00e3o de artificialidade, que em certos momentos quebra a imers\u00e3o do espectador na narrativa. Esses problemas, apesar de n\u00e3o comprometerem completamente o filme, mostram que h\u00e1 espa\u00e7o para amadurecimento t\u00e9cnico e refinamento na dire\u00e7\u00e3o de atores e na adapta\u00e7\u00e3o do texto para a tela.<\/p>\n\n\n\n<p>Me Ame Como \u00c9 Pra Amar \u00e9 um filme que se destaca por sua coragem e relev\u00e2ncia. Lucas Blanco entrega uma obra que dialoga diretamente com as dores e desafios da comunidade LGBTQIAPN+, mostrando como o cinema universit\u00e1rio pode abordar temas urgentes e promover di\u00e1logos transformadores.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se inserir em um contexto t\u00e3o importante como o da representatividade no audiovisual, o filme cumpre seu papel social ao alcan\u00e7ar p\u00fablicos diversos e fomentar a empatia. Para quem assiste, a hist\u00f3ria de Nicolas \u00e9 um convite a refletir sobre as complexidades do amor e as consequ\u00eancias do preconceito. Para o cineasta, o curta evidencia um grande potencial narrativo, mas aponta a necessidade de um maior cuidado t\u00e9cnico. Mesmo com seus aspectos a refinar, o curta demonstra que o cinema n\u00e3o precisa ser impec\u00e1vel para emocionar. Pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o as vulnerabilidades da produ\u00e7\u00e3o, e dos pr\u00f3prios personagens, que tornam Me Ame Como \u00c9 Pra Amar uma experi\u00eancia t\u00e3o sincera e humana. \u00c9 um trabalho que merece reconhecimento e que deixa claro o papel do cinema universit\u00e1rio como espa\u00e7o de resist\u00eancia, reflex\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Kian Zwicker \/ Me Ame Como \u00c9 Pra Amar, curta-metragem dirigido e escrito por Lucas Blanco, aborda de forma \u00edntima e sens\u00edvel as diversas formas de amor. 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