{"id":424,"date":"2025-03-08T15:13:27","date_gmt":"2025-03-08T18:13:27","guid":{"rendered":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=424"},"modified":"2025-03-08T15:13:27","modified_gmt":"2025-03-08T18:13:27","slug":"critica-do-filme-literatura-em-mural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=424","title":{"rendered":"Cr\u00edtica do filme Literatura em Mural"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Mariana Correa \/ <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"442\" height=\"249\" src=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-25.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-425\" style=\"width:620px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-25.png 442w, https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-25-300x169.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 442px) 100vw, 442px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>No curta documental Literatura em Mural, Klewerson Lima, que assina a dire\u00e7\u00e3o da obra, apresenta as intermedia\u00e7\u00f5es entre artes visuais e literatura ao registrar a concep\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de um mural na Universidade Federal do Par\u00e1, inspirado pela obra Flor de Gume, da escritora paraense Monique Malcher. O ponto de partida do filme \u00e9 a justaposi\u00e7\u00e3o entre o relato da autora da obra liter\u00e1ria, que revela seus sentimentos e expectativas iniciais quanto \u00e0 parceria, e o relato dos artistas convidados para a execu\u00e7\u00e3o do mural, que articulam sobre as escolhas t\u00e9cnicas, conceituais e estil\u00edsticas para a obra final.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa pluralidade de discursos oferta ao telespectador o maior trunfo do document\u00e1rio: uma percep\u00e7\u00e3o interessante sobre poss\u00edveis processos de tradu\u00e7\u00e3o de uma linguagem art\u00edstica para outra, j\u00e1 destacada nos momentos iniciais do projeto, quando Monique ressalta a import\u00e2ncia de \u201csentir aquela obra e colocar ali [no produto art\u00edstico derivado] o que \u00e9 seu [do artista que realiza a reinterpreta\u00e7\u00e3o] \u201d. A partir desse momento, os artistas discorrem sobre quais \u201cpartes de si\u201d ou, ao menos, das suas vis\u00f5es art\u00edsticas foram colocadas nas escolhas de cores e s\u00edmbolos para o mural, oferecendo reflex\u00f5es que, se analisadas de forma mais ampla, ultrapassam a concep\u00e7\u00e3o daquela obra individualmente, e se estendem a um panorama geral sobre adapta\u00e7\u00f5es ou cria\u00e7\u00f5es derivadas da interpreta\u00e7\u00e3o pessoal de outras linguagens art\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas entrevistas, enquanto esses tensionamentos v\u00eam \u00e0 tona, mostra-se ao fundo o andamento do mural, aumentando no p\u00fablico a expectativa de ver o trabalho pronto. O encerramento \u00e9, portanto, a cereja do bolo porque n\u00e3o somente revela o resultado final das interpreta\u00e7\u00f5es dos muralistas acerca da obra de Monique, como tamb\u00e9m ressalta mais uma camada de transtextualidade presente no filme: a da obra cinematogr\u00e1fica em si, que agora associa, a partir da interpreta\u00e7\u00e3o do diretor, peda\u00e7os do texto \u00e0s partes do mural de forma progressiva at\u00e9, por fim, satisfazer o espectador com a revela\u00e7\u00e3o do mural completo. Ora mais objetiva, como quando associa a pintura de um rio \u00e0s partes do texto que mencionam \u00e1gua, ora mais subjetivo, como quando associa a \u201ctextura r\u00edgida de um sorriso inexistente\u201d a um cora\u00e7\u00e3o cinzento e despeda\u00e7ado sustentado por \u00e1rvores, a atua\u00e7\u00e3o dessa terceira camada interpretativa e criativa \u00e9 extremamente bem-vinda para o fortalecimento da ret\u00f3rica do filme.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, embora possua um discurso relevante, al\u00e9m de um papel social importante no que tange ao registro da hist\u00f3ria de artistas regionais, \u00e9 not\u00f3rio que em muitos momentos a experi\u00eancia do espectador \u00e9 prejudicada por falhas t\u00e9cnicas na execu\u00e7\u00e3o do projeto. O som da obra, por exemplo, oscila de forma muito abrupta entre o baixo e o alto, o silencioso e o musicado, de modo que fica clara a necessidade de um refinamento maior na constru\u00e7\u00e3o sonora da obra. Al\u00e9m disso, a escolha de algumas imagens mal enquadradas, como quando se mostra no in\u00edcio, com a linha do horizonte torta, um \u00f4nibus transitando pela universidade, e de imagens superexpostas, como quando aparece um dos muralistas transportando as tintas em um carrinho, d\u00e3o a impress\u00e3o de que havia mais sonoras do que imagens de cobertura adequadas para complementar a obra. Desse modo, Literatura em Mural constr\u00f3i uma narrativa pertinente no quesito das interdisciplinaridades art\u00edsticas, mas carece, em alguns momentos, de bases t\u00e9cnicas mais estruturadas, o que compromete parcialmente a experi\u00eancia espectatorial.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Mariana Correa \/ No curta documental Literatura em Mural, Klewerson Lima, que assina a dire\u00e7\u00e3o da obra, apresenta as intermedia\u00e7\u00f5es entre artes visuais e literatura ao registrar a concep\u00e7\u00e3o e execu\u00e7\u00e3o de um mural na Universidade Federal do Par\u00e1, inspirado pela obra Flor de Gume, da escritora paraense Monique Malcher. 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