{"id":436,"date":"2025-03-08T15:17:36","date_gmt":"2025-03-08T18:17:36","guid":{"rendered":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=436"},"modified":"2025-03-08T15:17:36","modified_gmt":"2025-03-08T18:17:36","slug":"filme-como-chorar-sem-derreter-critica-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=436","title":{"rendered":"Filme Como Chorar Sem Derreter (Cr\u00edtica 1)"},"content":{"rendered":"\n<p>Por \u00c1dria Sofia Dias Lage \/ <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"435\" height=\"226\" src=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-29.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-437\" style=\"width:620px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-29.png 435w, https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-29-300x156.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 435px) 100vw, 435px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro voc\u00ea est\u00e1 em uma sala de cinema com amigos. Em seguida, do lado de fora, ouvindo sua amiga dizer que quer ir para casa chorar e comentando (voc\u00ea, n\u00e3o ela) que adquiriu a habilidade, sem saber ao certo se boa ou ruim, de evitar (ou fugir) do choro ap\u00f3s a pandemia. Algumas horas depois, talvez como prova cabal de que estamos destinados a encontrar as coisas certas no momento certo, voc\u00ea est\u00e1 em casa assistindo a outro filme para escrever uma cr\u00edtica, notando que de certa forma a protagonista \u00e9 voc\u00ea (mas tamb\u00e9m \u00e9 ningu\u00e9m mais, ningu\u00e9m menos que Betty Faria, reluzindo casualmente em um curta universit\u00e1rio).<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s muito tempo segurando o choro, uma mulher (reiterando: Betty Faria! Em um curta universit\u00e1rio!) recebe a estranha ajuda de uma crian\u00e7a para reverter a secura em seus olhos. Se a crian\u00e7a tivesse vinte e tantos anos e se chamasse Beatriz, essa poderia ser a minha hist\u00f3ria de horas atr\u00e1s, mas na verdade \u00e9 a premissa de Como Chorar Sem Derreter, dirigido e idealizado por Giulia Buttler, estudante de Cinema pela PUC-RIO. Trata-se de uma esp\u00e9cie de f\u00e1bula contempor\u00e2nea, carregada de uma po\u00e9tica intimista e ainda assim quase que universalmente identific\u00e1vel, afinal quem nunca, por pelo menos um dia na vida, sufocou tanto as pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es que at\u00e9 assimilou esse modo de vida como natural, s\u00f3 se dando conta da pr\u00f3pria repress\u00e3o ap\u00f3s um breakdown, como quem prende a respira\u00e7\u00e3o e s\u00f3 percebe quando a solta?<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos grandes m\u00e9ritos do projeto reside justamente na sua capacidade de identifica\u00e7\u00e3o em n\u00edveis t\u00e3o pessoais com o espectador, confrontando-no em camadas emocionais profundas e por vezes desconfort\u00e1veis, mas diluindo a visceralidade do tema em uma est\u00e9tica on\u00edrica e encantadora, com uma dire\u00e7\u00e3o de arte e ilumina\u00e7\u00e3o, minhas partes favoritas do filme (embora tamb\u00e9m n\u00e3o se possa ignorar o trabalho sonoro imersivo e repleto de camadas), que fazem o p\u00fablico se sentir dentro de um sonho infantil, com uma plasticidade que lembra os videoclipes antigos da Melanie Martinez ou, abrasileirando, a novela Meu Pedacinho de Ch\u00e3o, ambas refer\u00eancias que me agradam muito.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro ponto que me chama aten\u00e7\u00e3o no projeto \u00e9 a intelig\u00eancia da decupagem. Recentemente, um amigo que trabalha com audiovisual h\u00e1 pelo menos uma d\u00e9cada comentou que se incomodava com a megalomania da maioria dos projetos universit\u00e1rios, que frequentemente se propunham a fazer planos muito abertos sem condi\u00e7\u00f5es para preencher cenogr\u00e1fica e fotograficamente tal por\u00e7\u00e3o de tela. Talvez essa produ\u00e7\u00e3o especificamente n\u00e3o tenha sofrido de formas t\u00e3o profundas com a escassez de capital, mas ainda assim \u00e9 um exemplo de que se pode obter \u00f3timos resultados ao trabalhar com planos mais fechados, poupando o f\u00f4lego, a criatividade e os recursos universit\u00e1rios para compor satisfatoriamente espa\u00e7os menores, ao inv\u00e9s de ressaltar as faltas por meio de planos que, devido \u00e0s limita\u00e7\u00f5es inerentes \u00e0s produ\u00e7\u00f5es n\u00e3o industriais, n\u00e3o funcionam t\u00e3o bem na pr\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, Como Chorar Sem Derreter \u00e9 um verdadeiro acalento ao cora\u00e7\u00e3o, que nos lembra em seus visuais lind\u00edssimos e muito bem pensados que, quando estamos perdidos dentro da nossa pr\u00f3pria inabilidade emocional, talvez a resposta ainda seja encontrar e abra\u00e7ar a nossa crian\u00e7a interior, assim como Elisa faz com a sua, e assim como eu e talvez a minha Amiga Companheira de Cinema dever\u00edamos fazer ao esbarrar com as nossas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por \u00c1dria Sofia Dias Lage \/ Primeiro voc\u00ea est\u00e1 em uma sala de cinema com amigos. 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