{"id":499,"date":"2025-03-08T18:36:50","date_gmt":"2025-03-08T21:36:50","guid":{"rendered":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=499"},"modified":"2025-03-08T18:36:50","modified_gmt":"2025-03-08T21:36:50","slug":"critica-do-curta-do-tanto-de-telha-no-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=499","title":{"rendered":"Cr\u00edtica do curta Do Tanto de Telha no Mundo"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Victor Quadros \/ <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"410\" height=\"310\" src=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-50.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-500\" style=\"width:620px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-50.png 410w, https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-50-300x227.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 410px) 100vw, 410px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Saudade \u00e9 uma palavra que s\u00f3 existe na l\u00edngua brasileira, ela engloba sentimentos que v\u00e3o al\u00e9m da falta, al\u00e9m da aus\u00eancia, da car\u00eancia. Saudade no Brasil tem gosto, tem cheiro, tem cores, tem sons e poucas coisas deixam mais saudade do que o lugar de onde somos. O curta-metragem cearense \u201cDo tanto de telha no mundo\u201d \u00e9 o retrato de uma saudade premeditada, que quase todos que buscam crescer longe de casa um dia ir\u00e3o sentir. O filme acompanha Leo, um artista jovem, voltando para Juatama, o interior em que cresceu e onde Cleide, sua m\u00e3e, ainda mora.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDo tanto de telha no mundo\u201d tem uma natureza muito relacion\u00e1vel, n\u00e3o tanto pela visualidade (isso depende de outros fatores, claro), mas sim pela sensibilidade ao retratar a rela\u00e7\u00e3o de uma pessoa com o lugar de onde ela veio, mais ainda, a rela\u00e7\u00e3o com a pessoa que a criou. A hist\u00f3ria de Leo \u00e9 comum entre jovens que deixaram o interior em que cresceram, \u00e9 importante ressaltar que esse movimento para os centros urbanos parte mais da falta de acesso a oportunidades do que de uma vontade genu\u00edna da pessoa que deixa sua cidade, da\u00ed a saudade t\u00e3o conflitante de casa. Nessa familiaridade distante, o filme ganha uma pot\u00eancia emocional que \u00e9 disposta na tela sem muita complexidade. Uma m\u00e3e e um filho sentados em uma mesa tomando caf\u00e9, um filho que tem dia e hora para partir, uma m\u00e3e, uma cidade, que estar\u00e3o sempre de bra\u00e7os abertos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 muito conflitante esse aspecto amb\u00edguo da saudade, a melancolia de algo que n\u00e3o est\u00e1 aqui e a alegria das mem\u00f3rias boas de algo que j\u00e1 esteve perto. Se torna algo quase incomunic\u00e1vel, penso que essa natureza complexa do que \u00e9 saudade consegue ser transmitida e comunicada atrav\u00e9s das imagens mais simples: o retrato de uma pessoa que j\u00e1 partiu, fotos da casa em que cresci, uma m\u00fasica, um cheiro, todas coisas que residem no passado. Leo, ao voltar para sua cidade natal e saber que ir\u00e1 para t\u00e3o longe dela, experiencia uma saudade do momento presente, dos c\u00f4modos de sua casa, das ruas da sua cidade, da sua m\u00e3e, \u00e9 o \u00faltimo momento &#8211; pelo menos por bastante tempo &#8211; em que ele se sentir\u00e1 em casa e atrav\u00e9s de enquadramentos, sons, objetos, intera\u00e7\u00f5es, n\u00f3s tamb\u00e9m somos contaminados com essa saudade \u201cao vivo\u201d. Nos faz lembrar de n\u00f3s mesmos, das nossas casas, das nossas fam\u00edlias, das nossas trocas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 comovente ver cinema universit\u00e1rio sendo feito dessa forma, com uma hist\u00f3ria e discurso que, imagino eu, todo jovem artista brasileiro, principalmente do norte e nordeste, consegue se relacionar. Existe um sentimento forte em \u201cDo tanto de telha no mundo\u201d, e em quase todo filme universit\u00e1rio, de uma coletividade que existe por causa de discursos que a representam, de maneira mais ou menos direta. No caso de \u201cDo tanto de telha do mundo\u201d essa colabora\u00e7\u00e3o resulta numa experi\u00eancia f\u00edlmica emocionante, atrav\u00e9s de suas imagens, repletas de visuais que nos fazem lembrar de casa e atrav\u00e9s dos seus sons e m\u00fasicas que permeiam o imagin\u00e1rio. \u00c9 necess\u00e1rio uma sensibilidade singular para transmitir certas emo\u00e7\u00f5es e a pessoalidade intr\u00ednseca do filme faz com que tudo se desenrola muito organicamente, com a familiaridade que o filme exige.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Eu diria que \u201cDo tanto de telha no mundo\u201d \u00e9 um grito de saudade, mas em vez de nos chocar, impactar, explodir, o filme vai crescendo lentamente dentro do peito, vai nos familiarizando com o espa\u00e7o, provocando lembran\u00e7as, quando de repente, sem surpresa alguma, nos vemos tomados por uma saudade. Isso \u00e9 m\u00e9rito tamb\u00e9m da dire\u00e7\u00e3o singela e potente de Bruno Brasileiro, que me surpreendeu da melhor maneira poss\u00edvel, \u00e9 sempre bom se relacionar com o que se assiste e se sentir um pouco mais pr\u00f3ximo da pessoa que realizou aquilo e esse filme me deu essa oportunidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Victor Quadros \/ Saudade \u00e9 uma palavra que s\u00f3 existe na l\u00edngua brasileira, ela engloba sentimentos que v\u00e3o al\u00e9m da falta, al\u00e9m da aus\u00eancia, da car\u00eancia. Saudade no Brasil tem gosto, tem cheiro, tem cores, tem sons e poucas coisas deixam mais saudade do que o lugar de onde somos. 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