{"id":508,"date":"2025-03-08T18:40:14","date_gmt":"2025-03-08T21:40:14","guid":{"rendered":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=508"},"modified":"2025-03-08T18:58:31","modified_gmt":"2025-03-08T21:58:31","slug":"critica-do-filme-erva-que-cura-erva-que-benze","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=508","title":{"rendered":"Cr\u00edtica do Filme Erva que Cura, Erva que Benze"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Vin\u00edcius Caet\u00e9 Ramos \/ <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"427\" height=\"215\" src=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-53.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-509\" style=\"width:620px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-53.png 427w, https:\/\/oca.ufpa.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/image-53-300x151.png 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 427px) 100vw, 427px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>O curta documental produzido por discentes da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia, com a dire\u00e7\u00e3o de Caroline Fran\u00e7a, traz o aspecto dos saberes tradicionais para a tela, como o pr\u00f3prio nome da obra deixa expl\u00edcito. O curta documental aborda os saberes ligados \u00e0s ervas medicinais e sagradas que dentro da cultura popular, principalmente no interior do pa\u00eds, t\u00eam uma importante papel no que podemos chamar de medicina tradicional brasileira. Um aspecto muito importante do filme \u00e9 o protagonismo de pessoas negras, principalmente mulheres.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Analisando o filme a partir de um crit\u00e9rio t\u00e9cnico, acredito que cumpra muito bem a sua proposta. A obra inicia buscando mostrar aspectos ligados \u00e0 natureza, como as plantas e as \u00e1guas, mas posteriormente trazendo o ambiente buc\u00f3lico com elementos do dia a dia de uma vida simples no interior, tudo isso com uma reza cantada como fundo sonoro, que combina muito bem com as imagens, o que conduz o espectador a uma sensa\u00e7\u00e3o de leveza e calmaria. A ideia de dire\u00e7\u00e3o mistura planos de entrevista com planos mais contemplativos do espa\u00e7o ou das pr\u00f3prias rezas, optando por uma constru\u00e7\u00e3o sonora mais crua, o que traz a produ\u00e7\u00e3o uma mistura de trilha e som direto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da dire\u00e7\u00e3o optar por um estilo mais can\u00f4nico dentro da est\u00e9tica documental, que \u00e9 o document\u00e1rio com entrevistas, \u201cErva que cura, Erva que benze\u201d conta com uma montagem que leva a obra para um local mais de um filme po\u00e9tico e intimista, como se o filme fosse feito da mesma maneira que se constr\u00f3i uma m\u00fasica, progredindo cenas como as notas musicais se perpassam em uma progress\u00e3o harm\u00f4nica. Pessoalmente fazendo com que al\u00e9m de ver o filme, pudesse senti-lo, da mesma forma que uma can\u00e7\u00e3o se sente al\u00e9m de uma mera escuta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, o espirito da obra est\u00e1 em colocar as vozes e corpos negros como elementos de import\u00e2ncia e como figuras de respeito, principalmente essas figuras sendo mulheres. Vozes que estiveram por muito tempo longe das telas, saberes que se passam de boca a boca, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o e agora est\u00e3o ganhando as proje\u00e7\u00f5es, percorrendo lugares, adentrando os festivais e tocando pessoas que apesar das diferen\u00e7as, conseguem sentir o peso e a beleza dessa cultura t\u00e3o rica.&nbsp; E como diria o cantor Chico C\u00e9sar, quando o preto fala o branco cala ou deixa a sala com veludo nos tamancos, e me dando a oportunidade de mais uma vez parafrase\u00e1-lo, esses saberes vem da \u00c1frica, assim como meus santos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro elemento que me faz pensar na obra \u00e9 o choque geracional, de como as novas gera\u00e7\u00f5es est\u00e3o se afastando de suas ra\u00edzes e como a tecnologia e globaliza\u00e7\u00e3o t\u00eam atuado para isso, visto at\u00e9 na fala de uma das entrevistadas que diz que est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil encontrar pessoas que tenham o dom\u00ednio dos saberes ancestrais, o que traz o pensamento de que estamos cada vez menos vivendo em comunidade. Vale questionar como o modo de vida capitalista est\u00e1 cada vez mais transformando a vida em um conjunto de individualidades voltadas a conquistas pessoais e deixando de lado o corpo coletivo, mesmo muitas vezes n\u00e3o partindo de uma escolha individual, mas de um direcionamento sistem\u00e1tico da sociedade que estamos inseridos. Voltamos para mais uma fala presente no filme para ilustrar esse pensamento, que diz que a reza n\u00e3o pode ser cobrada, porque o que vem de Deus n\u00e3o pode ter pre\u00e7o, e mais uma vez me questiono, dentro desse sistema existe ainda espa\u00e7o para o que n\u00e3o tem pre\u00e7o? E como isso afeta na percep\u00e7\u00e3o dessas novas gera\u00e7\u00f5es t\u00e3o inseridas nessa l\u00f3gica, apesar de que, a luta para manter esses saberes vivos sempre foi \u00e1rdua, e consequentemente continuar\u00e1 sendo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, n\u00e3o gostaria de dizer se a obra \u00e9 boa ou ruim, pois acredito que o cinema se descreve em vari\u00e1veis muito mais complexas que essa simples dualidade, gostaria de dizer que a obra \u00e9 necess\u00e1ria, precisamos registrar os nossos saberes, o rosto das nossas pessoas, a alegria e a f\u00e9 que existe dentro de todos n\u00f3s, trabalhadores brasileiros, e de como nos podemos contar nossas pr\u00f3prias hist\u00f3rias, de uma maneira \u00fanica, bonita e nossa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Vin\u00edcius Caet\u00e9 Ramos \/ O curta documental produzido por discentes da Universidade Federal do Rec\u00f4ncavo da Bahia, com a dire\u00e7\u00e3o de Caroline Fran\u00e7a, traz o aspecto dos saberes tradicionais para a tela, como o pr\u00f3prio nome da obra deixa expl\u00edcito. 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