{"id":706,"date":"2025-04-14T15:16:27","date_gmt":"2025-04-14T18:16:27","guid":{"rendered":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=706"},"modified":"2025-04-14T15:16:27","modified_gmt":"2025-04-14T18:16:27","slug":"critica-do-filme-linda-linda-linda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=706","title":{"rendered":"Cr\u00edtica do filme Linda Linda Linda"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Tain\u00e1 Ara\u00fajo Sim\u00f5es \/<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><em>Linda Linda Linda<\/em> (2005) traz a hist\u00f3ria de uma banda chamada Paran Maum, formada pelas amigas Kei, Kyoko e Nozomi, que buscam uma nova integrante ap\u00f3s a sa\u00edda da guitarrista, que machucou a m\u00e3o, e da vocalista, que deixou a banda ap\u00f3s uma discuss\u00e3o com Kei. Faltando tr\u00eas dias para o festival escolar e sem parte das integrantes, as amigas v\u00e3o em busca de uma nova vocalista e, por acaso, acabam chamando Son, uma estudante de interc\u00e2mbio coreana que tem dificuldade em falar japon\u00eas. A partir da\u00ed, a trama acompanha os ensaios da banda e os obst\u00e1culos at\u00e9 a apresenta\u00e7\u00e3o final, com o hit do punk rock japon\u00eas <em>Linda Linda<\/em>, da banda <em>The Blue Hearts<\/em>, que d\u00e1 origem ao t\u00edtulo do filme.<\/p>\n\n\n\n<p>Dirigido e co-roteirizado por Nobuhiro Yamashita, <em>Linda Linda Linda<\/em> se destaca entre os filmes de bandas adolescentes por sua simplicidade cativante. Conhecido por suas narrativas de coming of age e seu humor inexpressivo, Yamashita transforma o mon\u00f3tono em algo aconchegante. A hist\u00f3ria segue um caminho previs\u00edvel, mas o roteiro evita dramatiza\u00e7\u00f5es excessivas, explorando os obst\u00e1culos da banda com um enredo simples. N\u00e3o h\u00e1 grandes conflitos nem vil\u00f5es tentando sabotar a apresenta\u00e7\u00e3o. Em vez disso, as personagens enfrentam os desafios com uma sensatez natural, tornando a jornada mais genu\u00edna.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco \u00e9 explorado do background das personagens; entretanto, o comprometimento que elas assumem em conseguir se apresentar com a nova forma\u00e7\u00e3o, tendo apenas tr\u00eas dias de ensaio, \u00e9 o suficiente para que haja um desenvolvimento e apego a elas. Momentos \u200b\u200bde descanso entre os ensaios e suas rotinas escolares, nos quais elas aproveitam a companhia umas das outras, apenas ressaltam o quanto de simpatia passamos a ter por elas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Linda Linda Linda<\/em> estabelece, atrav\u00e9s da m\u00fasica, uma conex\u00e3o entre as integrantes e tamb\u00e9m com o p\u00fablico. Acompanhar o desenvolvimento da banda nos ensaios deixa claro que a narrativa retrata, de fato, uma banda escolar. Elas n\u00e3o s\u00e3o as melhores tocando: Kei, que antes era tecladista, se v\u00ea obrigada a aprender a tocar guitarra em tr\u00eas dias, e Son nunca tinha sequer feito parte de uma banda, tendo aceitado o convite sem entender no que realmente estava se metendo. Tudo nos cativa a torcer pelo triunfo na apresenta\u00e7\u00e3o final.<\/p>\n\n\n\n<p>O filme segue um ritmo lento; as cenas s\u00e3o compostas de planos longos e pouco movimento, com predomin\u00e2ncia de enquadramentos a uma dist\u00e2ncia m\u00e9dia e quase nenhum close-up ou plano detalhe. Focadas em capturar a mundanidade do dia a dia, n\u00e3o como algo tedioso, mas como a pr\u00f3pria ess\u00eancia que ocasiona os objetivos e obst\u00e1culos da banda, as cenas apresentam os personagens sempre perfeitamente enquadrados dentro do plano, explorando at\u00e9 uma certa simetria, o que torna tudo visualmente satisfat\u00f3rio. O diretor prioriza a identifica\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o por meio de planos mais abertos e planos m\u00e9dios, permitindo que vejamos todos os personagens em cena como se n\u00f3s mesmos estiv\u00e9ssemos inseridos no filme, observando os di\u00e1logos.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 momentos em que a c\u00e2mera acompanha os personagens enquanto caminham pelos corredores da escola ou pelas ruas da cidade, refor\u00e7ando a sensa\u00e7\u00e3o de tempo real e cotidiano. Esse ritmo pausado permite que a narrativa crie um contraste com a cena final da apresenta\u00e7\u00e3o, que surge como um momento de euforia. Gosto de como a montagem dos momentos finais do filme \u00e9 intercalada de cenas da banda no palco com imagens de outros personagens que assistem da plateia e outras dos cen\u00e1rios vazios, tudo enquanto ainda ouvimos a apresenta\u00e7\u00e3o da banda ao fundo. Finalizando com imagens que aparecem antes do cr\u00e9ditos, das protagonistas em alguns momentos aleat\u00f3rios ao som da banda original tocando.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda falando em termos t\u00e9cnicos, a fotografia n\u00e3o possui grandes contrastes ou estiliza\u00e7\u00f5es marcantes, os tons frios e neutros constroem a atmosfera mon\u00f3tona e a sensa\u00e7\u00e3o de transitoriedade, acompanhando a jornada das protagonistas. A ilumina\u00e7\u00e3o, que \u00e9 predominantemente natural, enfatiza a textura dos espa\u00e7os e a simplicidade da ambienta\u00e7\u00e3o escolar e urbana.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as personagens, Yamashita opta por um estilo de atua\u00e7\u00e3o naturalista e despretensioso, em que as intera\u00e7\u00f5es parecem mais espont\u00e2neas. A din\u00e2mica entre as quatro funciona de maneira inicialmente t\u00edmida, j\u00e1 que Son ainda n\u00e3o domina o japon\u00eas. Suas primeiras intera\u00e7\u00f5es com a banda s\u00e3o um pouco desconfort\u00e1veis, muitas vezes preenchidas por momentos de sil\u00eancio, mas percebe-se o esfor\u00e7o das garotas em tentar estabelecer uma comunica\u00e7\u00e3o. Logo nas primeiras intera\u00e7\u00f5es, em uma parada de \u00f4nibus, Son e Kei, enquanto esperam, conversam de forma embara\u00e7ada, com gestos e palavras pausadas. No entanto, ao final da conversa, fica claro o empenho em fazer as coisas darem certo.<\/p>\n\n\n\n<p>Kei, interpretada por Yu Kashii, entrega uma performance silenciosamente carism\u00e1tica, sempre deixando claro que \u00e9 a cabe\u00e7a quente do grupo. No entanto, ela tamb\u00e9m demonstra ser atenciosa com as integrantes. Kyoko, interpretada por Aki Maeda, traz uma personagem mais t\u00edmida e leve para a trama. J\u00e1 Nozomi, interpretada por Shiori Sekine, teve pouqu\u00edssimo destaque no filme, mas sua personalidade mais reservada complementa a din\u00e2mica do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Son, interpretada por Bae Doona, \u00e9 a personagem que mais marca o filme. Mesmo com poucas falas, sua linguagem corporal e express\u00f5es comunicam claramente sua dificuldade de adapta\u00e7\u00e3o e a surpresa genu\u00edna ao encontrar seu lugar na banda. O espectador percebe o qu\u00e3o surpresa ela fica ao descobrir que \u00e9 boa em algo que nunca havia considerado, ao mesmo tempo em que sente sua frustra\u00e7\u00e3o por n\u00e3o conseguir se expressar t\u00e3o bem quanto gostaria com suas novas amigas. Essa dificuldade de comunica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 necessariamente apresentada como um obst\u00e1culo, mas sim como parte de sua complexidade de intera\u00e7\u00e3o, algo que se encaixa perfeitamente em sua condi\u00e7\u00e3o de estudante de interc\u00e2mbio.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma cena em espec\u00edfico me chamou a aten\u00e7\u00e3o ao falarmos da personagem Son. Durante uma das noites de ensaio na escola, Son sai caminhando da sala de m\u00fasica at\u00e9 o gin\u00e1sio, onde fica o palco da apresenta\u00e7\u00e3o. Sozinha, ela se posiciona ao centro e faz uma introdu\u00e7\u00e3o das membros para a plateia imagin\u00e1ria. No entanto, em vez de usar o japon\u00eas, ela fala em sua l\u00edngua materna, o coreano. Esse \u00e9 um dos poucos momentos em que vemos Son se expressar de maneira mais expansiva, descrevendo com carinho as outras integrantes da banda e indicando como ela realmente se sente em rela\u00e7\u00e3o a essa conex\u00e3o que conseguiu criar, em pouco tempo, com as garotas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Linda Linda Linda<\/em> \u00e9 como assistir mem\u00f3rias valiosas, que mostram as simples experi\u00eancias da adolesc\u00eancia, tudo \u00e9 t\u00e3o trivial mas ao mesmo tempo t\u00e3o grandioso. Percorrendo entre suas diferen\u00e7as, inseguran\u00e7as e singularidades, as personagens nos cativam ao mostrar a conex\u00e3o que surge entre elas atrav\u00e9s da m\u00fasica. N\u00e3o \u00e9 um filme com uma mensagem profunda sobre como elas v\u00e3o amadurecer com as viv\u00eancias que est\u00e3o prestes a passar, mas sim um recorte da vida dessas adolescentes. Nobuhiro Yamashita consegue mostrar a beleza da simplicidade de uma hist\u00f3ria sobre quatro garotas que formam uma banda, tendo como \u00fanico objetivo aprender a tocar as m\u00fasicas do <em>The Blue Hearts<\/em> para apresentar no festival cultural da escola.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Tain\u00e1 Ara\u00fajo Sim\u00f5es \/ Linda Linda Linda (2005) traz a hist\u00f3ria de uma banda chamada Paran Maum, formada pelas amigas Kei, Kyoko e Nozomi, que buscam uma nova integrante ap\u00f3s a sa\u00edda da guitarrista, que machucou a m\u00e3o, e da vocalista, que deixou a banda ap\u00f3s uma discuss\u00e3o com Kei. 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