{"id":819,"date":"2025-06-08T13:48:51","date_gmt":"2025-06-08T16:48:51","guid":{"rendered":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=819"},"modified":"2025-06-08T13:48:51","modified_gmt":"2025-06-08T16:48:51","slug":"critica-de-o-esquema-fenicio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=819","title":{"rendered":"Cr\u00edtica de O Esquema Fen\u00edcio"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Lucas Figueiredo \/<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Em &#8220;O Esquema Fen\u00edcio&#8221;, Wes Anderson nos entrega mais uma com\u00e9dia peculiar sobre fam\u00edlias exc\u00eantricas e disfuncionais, um tema recorrente em sua filmografia. Desta vez, o bilion\u00e1rio Zsa-Zsa Korda (Benicio del Toro), um sobrevivente de seis acidentes a\u00e9reos e pai de nove filhos homens, surpreende ao eleger sua \u00fanica filha, a freira Liesl (Mia Threapleton), como herdeira. Ele a incumbe de uma miss\u00e3o global para concretizar seu ambicioso projeto: o &#8220;Korda Land and Sea Phoenician Infrastructure Scheme&#8221;. Acompanhada do ing\u00eanuo tutor Bjorn (Michael Cera), Liesl e seu pai viajam o mundo, negociando com empres\u00e1rios, empreiteiros e at\u00e9 figuras criminosas, tudo isso enquanto ocultam seus verdadeiros objetivos.<\/p>\n\n\n\n<p>A marca visual de Wes Anderson \u00e9 ineg\u00e1vel e facilmente identific\u00e1vel em todas as suas obras. Em &#8220;O Esquema Fen\u00edcio&#8221;, ele segue rigorosamente suas f\u00f3rmulas est\u00e9ticas milim\u00e9tricas, mas com um toque adicional. O filme surpreende com um in\u00edcio en\u00e9rgico e \u00e1gil, algo diferente para os padr\u00f5es do diretor. Essa abordagem imediata nos engaja e gera curiosidade sobre as aventuras do protagonista e os motivos por tr\u00e1s das tentativas de assassinato contra ele. Os personagens centrais, incluindo os companheiros de aventura, s\u00e3o introduzidos sem grandes arcos narrativos adjacentes, resultando em uma hist\u00f3ria mais linear e focada exclusivamente nessa peculiar fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do in\u00edcio promissor, o ritmo do filme sofre no decorrer da trama. O segundo ato se torna arrastado e at\u00e9 repetitivo, pois a necessidade de passar por diversos locais ao redor do mundo, com antagonismos burocr\u00e1ticos sempre apresentados da mesma forma, faz com que o ritmo caia. Se n\u00e3o fosse pelas situa\u00e7\u00f5es c\u00f4micas e o carisma dos personagens, o filme poderia facilmente se tornar superficial. E,de fato, os personagens s\u00e3o a for\u00e7a primordial deste projeto. O trio de protagonistas carrega segredos de seu passado que s\u00e3o gradualmente revelados ao longo da trama. Embora os desenvolvimentos n\u00e3o sejam excessivamente complexos, seus traumas e remorsos se encaixam bem nas situa\u00e7\u00f5es que enfrentam. Ainda que mantenhamos uma certa dist\u00e2ncia como espectadores, sentimos empatia e interesse em acompanh\u00e1-los.<\/p>\n\n\n\n<p>A com\u00e9dia em &#8220;O Esquema Fen\u00edcio&#8221; \u00e9 predominantemente visual, com piadas e situa\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, como uma desajeitada partida de basquete ou a birra de um adulto. \u00c9 interessante notar como o estilo \u00fanico de Wes Anderson, conhecido por seus padr\u00f5es formais exacerbadamente calculados, parece se desprender um pouco em favor de enquadramentos mais din\u00e2micos e fluidos. A c\u00e2mera busca a a\u00e7\u00e3o do personagem, em vez de limit\u00e1-lo ao quadro, o que representa uma mudan\u00e7a interessante e pode at\u00e9 causar estranhamento nos f\u00e3s mais antigos do diretor.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de dire\u00e7\u00e3o de arte, &#8220;O Esquema Fen\u00edcio&#8221; apresenta uma paleta de cores menos vibrante e saturada que seu filme anterior, &#8220;Asteroid City&#8221; (2023). Predominam tons verdes e azuis, com o amarelo pastel surgindo em momentos pontuais. Essa escolha combina com o tom mais &#8220;p\u00e9 no ch\u00e3o&#8221; do filme, apesar dos elementos exagerados. A arte aqui busca evidenciar aspectos mais simples do cotidiano dos personagens, em vez de elementos irreais ou adere\u00e7os extravagantes. As belas maquetes vistas em &#8220;Asteroid City&#8221; e &#8220;A Cr\u00f4nica Francesa&#8221; d\u00e3o lugar a cen\u00e1rios mais fechados e introspectivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, &#8220;O Esquema Fen\u00edcio&#8221; representa o melhor e o pior da cinematografia de Wes Anderson. N\u00e3o h\u00e1 grandes novidades, e sua f\u00f3rmula \u00e9 reprisada com a mesma estrutura narrativa de sempre para os personagens. O diferencial talvez resida no timing c\u00f4mico e na despretens\u00e3o que funcionam muito bem. \u00c9 um filme de com\u00e9dia e aventura sobre fam\u00edlia que se diverte e pode ser assistido em fam\u00edlia. Mesmo no &#8220;piloto autom\u00e1tico&#8221;, Anderson ainda consegue criar uma hist\u00f3ria interessante e agrad\u00e1vel de se ver, ainda que distante de suas obras mais consagradas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Lucas Figueiredo \/ Em &#8220;O Esquema Fen\u00edcio&#8221;, Wes Anderson nos entrega mais uma com\u00e9dia peculiar sobre fam\u00edlias exc\u00eantricas e disfuncionais, um tema recorrente em sua filmografia. Desta vez, o bilion\u00e1rio Zsa-Zsa Korda (Benicio del Toro), um sobrevivente de seis acidentes a\u00e9reos e pai de nove filhos homens, surpreende ao eleger sua \u00fanica filha, a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-819","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lancamentos-do-ano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/819","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=819"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/819\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":820,"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/819\/revisions\/820"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=819"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=819"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=819"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}