{"id":893,"date":"2025-07-21T15:29:37","date_gmt":"2025-07-21T18:29:37","guid":{"rendered":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=893"},"modified":"2025-07-21T15:49:20","modified_gmt":"2025-07-21T18:49:20","slug":"critica-de-lilo-e-stitch","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/oca.ufpa.br\/?p=893","title":{"rendered":"Cr\u00edtica de Lilo e Stitch"},"content":{"rendered":"\n<p>Por Adso Sab\u00e1do*<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.planocritico.com\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/Lilo-e-Stitch-plano-critico.jpg\" alt=\"\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Lilo e Stitch \u00e9 um filme Live Action adaptado da cl\u00e1ssica e carism\u00e1tica anima\u00e7\u00e3o de mesmo nome produzida pela Disney. 23 anos depois do lan\u00e7amento do filme original, a adapta\u00e7\u00e3o chega \u00e0s telas prometendo duas coisas: apresentar a obra para a nova gera\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, revisitar o cl\u00e1ssico para as crian\u00e7as de 2002, trazendo o ar de nostalgia e procurando ganhar a aten\u00e7\u00e3o deste p\u00fablico atrav\u00e9s do afeto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como todas as outras tentativas da Disney de transformar um cl\u00e1ssico de anima\u00e7\u00e3o renomado em um filme Live Action, a adapta\u00e7\u00e3o de Lilo e Stitch tem a dificuldade de aceita\u00e7\u00e3o pela massa, uma vez que, apesar de ser maior a aproxima\u00e7\u00e3o do espectador ao ver um ser humano na tela ao inv\u00e9s de uma anima\u00e7\u00e3o, o interesse das crian\u00e7as est\u00e1 mais voltado para anima\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, o p\u00fablico adulto fisgado pela nostalgia do cl\u00e1ssico de anima\u00e7\u00e3o vai, majoritariamente, assistir ao filme no teor de &#8220;Quero ver como que adaptaram&#8221; ao inv\u00e9s de &#8220;Quero e pretendo me divertir com o filme&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao meu ver, adaptar uma anima\u00e7\u00e3o para o Live Action \u00e9 sempre dar um passo para tr\u00e1s, pois atrav\u00e9s da anima\u00e7\u00e3o a obra alcan\u00e7a uma transmiss\u00e3o de sentimentos que os filmes Live Action se veem limitados a atingir. As express\u00f5es faciais dos personagens, por exemplo: o exagero presente nas anima\u00e7\u00f5es transmite muito mais do que o rosto humano consegue insinuar. Al\u00e9m disso, os cen\u00e1rios e o pr\u00f3prio design de personagens que, mesmo que adapta\u00e7\u00e3o nos apresente uma representa\u00e7\u00e3o bem competente dos alien\u00edgenas, nunca ver\u00edamos no Live Action a liberdade criativa e visual que os artistas teriam numa anima\u00e7\u00e3o 2d, na qual se \u00e9 permitido desprender-se mais da realidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto aos personagens humanos, falando de atua\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 do que reclamar das duas irm\u00e3s protagonistas. Maia Kealoha entrega um show de fofura e carisma ao interpretar a Lilo. Suas caras e bocas entregam toda a do\u00e7ura esperada pela personagem, todas as suas participa\u00e7\u00f5es s\u00e3o ador\u00e1veis, J\u00e1 Sydney Agudong garante um ar leve, por\u00e9m que tenta esconder a preocupa\u00e7\u00e3o de sua personagem Nani. Entretanto, al\u00e9m das&nbsp; personagens principais, os demais atores sequer t\u00eam aten\u00e7\u00e3o o suficiente para tentarem fazer algo que aproxime o espectador um pouco mais deles, pois est\u00e3o limitados pela falta de participa\u00e7\u00e3o a n\u00e3o terem nenhuma outra camada ou personalidade al\u00e9m da superficial apresentada pelo roteiro &#8211; e quando digo superficial \u00e9 porque s\u00e3o realmente rasos e inertes de qualquer vi\u00e9s que dobre o que o arqu\u00e9tipo pede: o agente secreto da CIA \u00e9 sempre s\u00e9rio e met\u00f3dico, a esposa rabugenta \u00e9 sempre falastrona e fala sempre com a voz alta, o surfista jovem est\u00e1 sempre &#8220;de boa&#8221; e preparado para mostrar como \u00e9 &#8220;gente fina&#8221;. O que parece \u00e9 que os personagens secund\u00e1rios est\u00e3o presentes no filme apenas como um objeto de narrativa, e n\u00e3o como pessoas com vidas reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa falta de profundidade da hist\u00f3ria n\u00e3o se v\u00ea apenas nos personagens, o enredo \u00e9 b\u00e1sico e entediante, apresentando uma enorme barriga no segundo ato. Tudo \u00e9 simples demais e, mais uma vez, mostra como adaptar uma anima\u00e7\u00e3o para um Live Action n\u00e3o \u00e9 a melhor das ideias, pois, o enredo simples \u00e9 muito mais aceit\u00e1vel em uma anima\u00e7\u00e3o, onde n\u00e3o se \u00e9 preciso agarrar-se tanto na realidade, do que em um Live Action, onde o espectador assiste \u00e0 obra esperando uma maior aproxima\u00e7\u00e3o do mundo real (j\u00e1 que os atores s\u00e3o pessoas reais atuando em cen\u00e1rios reais) e que a hist\u00f3ria apresente uma maior verossimilhan\u00e7a. Ademais, o filme \u00e9 previs\u00edvel e, muitas vezes, covarde, ao gerar uma problem\u00e1tica t\u00e3o apenas para, poucos minutos depois, j\u00e1 resolv\u00ea-la, como a suposta morte por afogamento do Stitch: a cena tenta gerar tristeza ao querer fazer-nos pensar que ele morreu, mas em v\u00e3o, pois \u00e9 completamente previs\u00edvel que o personagem n\u00e3o vai morrer naquele momento. Outro caso como esse que posso mencionar \u00e9 quando o&nbsp; personagem do ator Zach Galifianakis captura Stitch e o leva para sua nave, t\u00e3o apenas para Lilo surpreendente e inexplicavelmente aparecer dentro da nave e salvar seu amigo. O pior \u00e9 que todos os problemas resolvem-se de maneira f\u00e1cil demais, sem apresentar um verdadeiro desafio para os personagens, sem faz\u00ea-los crescer como pessoas ao enfrentar os problemas, e este \u00e9, mais uma vez, uma quest\u00e3o de roteiro raso e, talvez, at\u00e9 pregui\u00e7oso.<\/p>\n\n\n\n<p>As melhores virtudes do filme s\u00e3o as coisas que ele adaptou da anima\u00e7\u00e3o, o que, por sua vez, n\u00e3o se pode dizer que seja uma virtude do pr\u00f3prio filme, e sim do material original. As mudan\u00e7as da hist\u00f3ria original, como a decis\u00e3o final de Nani de se separar de Lilo, n\u00e3o apresentam raz\u00f5es para existirem, at\u00e9 porque esta \u00e9, como dito anteriormente, outra problem\u00e1tica que surge somente para ser resolvida de forma p\u00edfia poucos minutos depois, ao vermos que Nani pode simplesmente usar a arma de portais (depois de aprender milagrosamente como se usa a arma) para visitar a Lilo.<\/p>\n\n\n\n<p>Lilo e Stitch \u00e9 um filme que fracassa em ser divertido, mas que apresenta alguns momentos que podem tirar algumas risadas breves. O problema \u00e9 n\u00e3o ter estabilidade narrativa, a barriga do meio \u00e9 longa demais, e a solu\u00e7\u00e3o dos problemas e o desenvolvimento de hist\u00f3ria e personagens s\u00e3o curtos demais. N\u00e3o seria perda de tempo assistir ao filme se a inten\u00e7\u00e3o for assistir a uma adapta\u00e7\u00e3o med\u00edocre e rasa, por\u00e9m com curtos momentos divertidos. Mas o conselho \u00e9 e sempre ser\u00e1, tanto nesta quanto para qualquer outra adapta\u00e7\u00e3o de anima\u00e7\u00e3o para Live Action: \u00e9 melhor assistir ao filme original, da maneira como ele foi pensado para ser assistido.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p style=\"font-size:clamp(0.875rem, 0.875rem + ((1vw - 0.2rem) * 0.542), 1.2rem);\">*  Adso Sab\u00e1do \u00e9 estudante do Curso de Cinema e Audiovisual da UFPA.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Adso Sab\u00e1do* Lilo e Stitch \u00e9 um filme Live Action adaptado da cl\u00e1ssica e carism\u00e1tica anima\u00e7\u00e3o de mesmo nome produzida pela Disney. 23 anos depois do lan\u00e7amento do filme original, a adapta\u00e7\u00e3o chega \u00e0s telas prometendo duas coisas: apresentar a obra para a nova gera\u00e7\u00e3o e, tamb\u00e9m, revisitar o cl\u00e1ssico para as crian\u00e7as de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[],"class_list":["post-893","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-lancamentos-do-ano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/893","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=893"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/893\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":905,"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/893\/revisions\/905"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=893"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=893"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/oca.ufpa.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=893"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}